Tarot

Origem desconhecida

Apesar do empenho dos estudiosos e da boa quantidade de literatura que já foi escrita sobre o assunto, a origem do jogo de cartas insiste em permanecer na obscuridade. Egípcios, chineses, indianos, hebreus e outros povos foram indicados como os que teriam, em tempos bem antigos, concebido essas 78 cartas, cujo conteúdo simbólico permaneceu atraente ao longo dos séculos. Ninguém sabe ao certo de onde vieram. Há até os que acreditam que as cartas para jogar foram inventadas na Europa medieval, sendo apenas mais um dos numerosos jogos instrutivos da época.

Provas concretas de sua origem parecem não existir. Alguns viram nelas uma predominância da antiga cultura egípcia. Tal teoria foi impulsionada pelo letrado francês Court de Gébelin (1728-1784), que escreve no volume oitavo do seu Mundo Primitivo: “Se descobríssemos que nos nossos dias existia uma obra do antigo Egito, um dos seus livros que tivesse sobrevivido a malignas destituições… um livro sobre as suas mais puras e interessantes doutrinas, todos nós ficaríamos ansiosos por conhecer essa extraordinária e preciosa obrar”, este livro egípcio, segundo Gébelin, é o Tarot, acrescentando que a antiga sabedoria sobreviveu porque foi astuciosamente revestida com a capa de um jogo. O seu caráter frívolo salvou-a da barbárie, da ignorância e de toda a destruição. Outros encontraram notável semelhança com jogos e divindades do antigo Oriente. Se não há provas, rastros existem por toda a parte, porque a simbologia das figuras contidas nas cartas de tarot é tão universal e presente na vida humana que, quer no Egito Antigo, na China, na Índia ou na Europa medieval, sempre se acabam encontrando representações culturais análogas às suas.

Um caráter que resiste ao tempo

O interesse despertado pelo tarot desde seu aparecimento na Europa, no final da Idade Média, foi crescendo e ganhou uma intensidade nunca vista na sociedade atual. Se considerarmos os baralhos de tarot desde o século XV, veremos que cada conjunto de cartas mostrava alguma modificação, mesmo mínima, em relação aos outros. Dessa forma, o tarot sofreu através dos séculos, um processo de adaptação e transformação segundo as mãos que o tocaram, os artistas, os artesãos e os trabalhadores industriais que se encarregaram de sua produção e os estudiosos que se debruçaram sobre o seu significado oculto e milenar. Ao longo desses séculos todos, o tarot também tem servido como veículo das mais variadas formas de expressão, aparecendo com cartas que representam quase tudo: feitos militares, descobertas científicas, animais, poesia etc. São variações que se utilizam da concepção formal do tarot para veicular mensagens dos mais variados tipos, artísticas ou comerciais. Para sobreviver a tudo isso é preciso ter, no mínimo, uma personalidade forte. E é isso que não falta ao tarot, pois, quando adquirimos um jogo moderno, constatamos que as figuras dos Arcanos Maiores estão ali, impregnadas do mesmo espírito que as possuía nas cartas medievais, mostrando que são capazes de impor ao homem que as manipula uma mensagem que as acompanha desde tempos não sabidos.

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